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Aposentados, mas não mortos !

ARTIGOS

Aposentados, mas não mortos, por Manoel Jesus*

Os aposentados que recebem mais do que um salário mínimo, até pouco tempo atrás uma massa disforme e sem força, estão mostrando que, embora tenham chegado à terceira idade, não entregam os pontos. Sabem que as centrais de trabalhadores, entre conseguir benefícios para os que estão na ativa e os que já penduraram as chuteiras, ficam com os primeiros. Restaram a mobilização, constrangendo as lideranças do governo federal, e imagens impactantes que repercutirão nas eleições do próximo ano.

Uma imagem e uma advertência: a foto dos aposentados deitados pelos corredores do Congresso correu mundo, a mostrar o descaso com os idosos. E um deles avisou: “Temos todo o tempo possível e imaginável para fazer campanha ou, se for o caso, trabalhar contra aqueles que querem nos ver na mendicância”.

O certo é que a turma do “deixa disso” já está se mobilizando para que o governo federal tenha o menor prejuízo possível. O argumento é de que, deixando o pessoal se aposentar cedo e permitindo reajuste integral pelo salário mínimo, se causarão problemas aos cofres públicos. Em sua defesa, os aposentados – ou pretendentes – argumentam que não foram eles que causaram os problemas da Previdência, que, eleitoreiramente ou não, criou uma série de benefícios sem ter caixa para tanto. Vão mais longe e dizem que trabalharam uma vida com a certeza de um tipo de aposentadoria que lhes é negada agora.

Vou colocar mais fogo na fogueira. Pelo jeito, o governo vai convencer da necessidade de que o homem some 95 anos (trabalho + idade) para se aposentar, o mesmo acontecendo com a mulher, com 85 anos. Por quê? Eu conheço muitas viúvas e raros viúvos. Há uma campanha no ar dizendo que o homem dura sete anos a menos. Então, por que tem que trabalhar e viver mais para se aposentar? O justo não seria o contrário?

O certo é que, parodiando o presidente, “nunca na história deste país”, os aposentados estiveram tão unidos em busca de seus direitos. A turma ainda vai desfilar muito pelos corredores dos poderes públicos, mas, agora, é escutada e respeitada. De bobos, não têm mais nada e podem ensinar técnicas de mobilização. Quem diria, estão reconquistando o lugar de onde nunca deveriam ter saído: estão aposentados, mas não estão mortos.

*Professor de Comunicação da UCPel

 

Zero Hora, 03/12/09 N° 16174

 

3/12/2009 - Arquivo

 
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